Resumo
A LG inaugurou sua segunda fábrica no Brasil, localizada em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), com foco em linha branca.
O Tecnoblog foi convidado para conhecer, in loco, a planta de 770 mil metros quadrados, fruto de um investimento de R$ 1,5 bilhão.
Em um primeiro momento, a fábrica será responsável por produzir geladeiras duplex bivolt, com o objetivo de reduzir em até 80% o tempo logístico de entrega dos produtos, que antes dependiam de importação.
A expectativa dos executivos é entregar uma geladeira a cada 14 segundos de produção, alcançando uma média de 600 mil unidades ao ano.

Adaptação ao mercado brasileiro
A escolha de Fazenda Rio Grande não foi aleatória: a empresa teve acesso a uma série de incentivos fiscais municipais e estaduais. O evento de inauguração contou com a presença do cônsul-geral da Coréia do Sul, Jin-weon Chae, e do governador do Paraná, Ratinho Júnior.
Ao iniciar as operações no Brasil, a LG adotou a estratégia de “tropicalização”, desenvolvendo produtos voltados para as demandas locais. Os hábitos e desafios do consumidor brasileiro foram mapeados durante a concepção dos refrigeradores, segundo a marca.

Durante a visita, foi possível acompanhar alguns testes de validação: garrafas de cerveja foram usadas como termômetros para medir a eficiência térmica, enquanto plataformas mecânicas simulam o impacto do transporte rodoviário para testar a durabilidade estrutural.
A LG também testa os refrigeradores a ambientes extremos de temperatura e umidade durante o processo, focando na resistência a regiões mais úmidas do país, nas quais a oxidação de componentes pode comprometer a vida útil do eletrodoméstico.
Por motivos de confidencialidade, não foi permitido registrar imagens dos testes em laboratório.
Disputa com marcas consolidadas
Marcas como Brastemp (Whirlpool) e Electrolux dominam o mercado brasileiro há décadas. Em entrevista ao Tecnoblog, a gerente de linha branca, Edianne Menezes, garantiu que a meta é introduzir diferenciais competitivos para desafiar esses players.
“Nosso objetivo é levar tecnologia de ponta ao mercado de massa, trazendo diferenciais como o compressor Inverter e um portfólio 100% bivolt, que aumenta a durabilidade do produto frente às variações da rede elétrica”, pontua a executiva.

Outro destaque é a tecnologia DoorCooling, projetada para garantir uma circulação de ar mais uniforme e evitar pontos de variação térmica, combatendo o ressecamento de vegetais no fundo do refrigerador.
Com esses e outros atrativos, a LG projeta alcançar 20% de participação no mercado brasileiro a médio prazo.
Com tecnologias embarcadas, mas ainda sem IA
Os modelos produzidos no Brasil contam com as mesmas tecnologias dos produtos feitos na Coréia do Sul. Além do Door Cooling, existem filtros integrados para purificar o ar interno, reduzir odores e otimizar a conservação dos alimentos.
Toda a linha será compatível com o aplicativo LG ThinQ, permitindo monitoramento do consumo energético, ajustes remotos de temperatura e conectividade via Wi-Fi.
No entanto, os refrigeradores nacionais ainda saem de fábrica sem recursos de inteligência artificial. Atualmente, os únicos produtos da marca com IA no portfólio global são as máquinas de lavar, que ainda não têm fabricação confirmada para a planta paranaense.
A ausência de inteligência artificial indica que o foco inicial da fábrica de Curitiba é o volume de produção e a competitividade em preço, deixando recursos avançados para um segundo momento.
O jornalista Victor Toledo viajou para Curitiba a convite da LG
LG abre fábrica de R$ 1,5 bilhão e mira na briga com Brastemp e Electrolux



