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Anomalia magnética: existe uma “zona de perigo” invisível sobre o Brasil?

redacao by redacao
12/08/2026
in Tecnologia
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Anomalia magnética: existe uma “zona de perigo” invisível sobre o Brasil?
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Uma espécie de “zona de perigo” invisível se estende sobre o território brasileiro. Trata-se da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), uma região onde o campo magnético terrestre é mais fraco. Mas, afinal, o que isso significa para quem vive no Brasil e por que essa área desperta tanta atenção dos cientistas?

Embora o nome possa assustar um pouco, a anomalia não representa uma ameaça direta para a população. Seus efeitos mais relevantes aparecem acima da atmosfera, principalmente nas órbitas baixas da Terra, onde satélites e outros equipamentos ficam mais expostos a partículas carregadas que conseguem atravessar com maior facilidade essa região de proteção magnética reduzida.

Representação visual da Anomalia Magnética do Atlântico Sul – Crédito: Imagem gerada por IA/ChatGPT

Para explicar o fenômeno, o Olhar Espacial da última sexta-feira (7) recebeu Gelvam André Hartmann, docente do Departamento de Geologia e Recursos Naturais do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Graduado em Física, com mestrado e doutorado em Geofísica pela Universidade de São Paulo (USP), ele realizou estágio de doutorado no Institut de Physique du Globe de Paris e pós-doutorados na USP e no Observatório Nacional. Hartmann coordena projetos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em colaboração com cientistas do Brasil e do exterior.

Gelvam André Hartmann
Gelvam André Hartmann (à direita) foi o convidado da última sexta-feira (7) do Programa Olhar Espacial, com Marcelo Zurita (à esquerda). – Crédito: Olhar Digital/YouTube

Existe algum risco para quem está no Brasil?

A resposta é direta: não. O enfraquecimento do campo magnético nessa região não provoca efeitos perceptíveis no cotidiano das pessoas e também não representa um risco específico para a aviação comercial. “Não tem nenhum tipo de preocupação; a gente não precisa criar nenhum tipo de alarme quanto a isso. É para ficar muito tranquilo sobre esse aspecto”, afirmou Hartmann.

O cenário é diferente para os equipamentos que ficam em órbita. O campo magnético terrestre funciona como uma proteção contra partículas energéticas provenientes do Sol e de outras fontes. Onde essa proteção é menor, aumenta a possibilidade de essas partículas interferirem no funcionamento de sistemas eletrônicos.

Anomalia Magnética do Atlântico Sul
Anomalia Magnética do Atlântico Sul – Crédito: Agência Espacial Europeia (ESA)

Um exemplo é o Telescópio Espacial Hubble. Ao passar pela região da anomalia, o observatório adota procedimentos para reduzir a exposição dos equipamentos. “Quando o Hubble atravessa a região da anomalia, alguns componentes são desligados para preservar os equipamentos dos efeitos que ela pode produzir. Eventualmente, algum computador pode ser afetado ou algum componente pode ser perturbado”, explicou o pesquisador.

A medida não significa que o telescópio esteja constantemente sob ameaça. Trata-se de uma precaução operacional para diminuir a possibilidade de falhas. Satélites mais modernos também podem contar com sistemas de proteção e componentes desenvolvidos para suportar melhor os efeitos da radiação espacial.

Por que o campo magnético é mais fraco?

A própria palavra “anomalia” pode induzir a uma interpretação errada. Na geofísica, ela não significa necessariamente um defeito ou uma falha. “Anomalia não significa um defeito, mas sim qualquer fenômeno que destoa de uma média”, explicou Hartmann.

O campo magnético terrestre é muito mais complexo do que o de um simples ímã com dois polos. Além da componente principal, existem estruturas chamadas de campos não dipolares, que alteram a intensidade e a direção do campo em diferentes pontos do planeta.

Anomalia Magnética do Atlântico Sul
A Anomalia Magnética do Atlântico Sul em uma animação feita pela NASA. – Crédito: NASA Goddard/YouTube

Leia mais:

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Essa combinação explica os valores observados em território brasileiro. “Se a gente tivesse esse campo perfeitamente bipolar, para as latitudes do Brasil, que seriam do Equador até mais ou menos 25, 28 graus sul, os valores teriam que ser em torno de 38, 40 mil nanoteslas. Mas, aqui em Campinas, por exemplo, ele é de 22 mil. Então, por conta do efeito da anomalia, é quase metade do que seria esperado para essa região”, destacou.

Segundo o especialista, a Anomalia Magnética do Atlântico Sul se caracteriza justamente pela forte presença dessas estruturas magnéticas mais complexas. “São contribuições de quadrupolo, de octupolo, de 16 polos, de 32 polos, enfim, é um campo muito mais complexo do que a gente imagina. A Anomalia Magnética do Atlântico Sul é caracterizada por ter contribuições de campos não dipolares bastante elevadas”, afirmou.

A Anomalia Magnética do Atlântico Sul, portanto, está longe de ser uma “zona de perigo” para quem vive no Brasil. O fenômeno revela, na prática, que o campo magnético da Terra não é uniforme e que suas características podem variar bastante de uma região para outra. Para a ciência, entender essas diferenças é essencial para acompanhar um dos escudos naturais que envolvem o planeta e lidar com os efeitos de suas particularidades sobre a tecnologia espacial.

O post Anomalia magnética: existe uma “zona de perigo” invisível sobre o Brasil? apareceu primeiro em Olhar Digital.

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Fonte: https://olhardigital.com.br/2026/08/12/ciencia-e-espaco/anomalia-magnetica-existe-uma-zona-de-perigo-invisivel-sobre-o-brasil/

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